Dinâmicas de grupo turbinam resultados na saúde preventiva

Na próxima sexta-feira, 33 idosos atendidos pela unidade de Saúde Eugênio Bochi, no Parque Santa Lúcia, se encontram para seguir viagem para Joinville (SC), onde farão um passeio de barco até São Francisco. Eles fazem parte do grupo de caminhada organizada pelos profissionais do Programa de Saúde da Família (PSF) da unidade, que visam à promoção da saúde – integral e independente de idade. Nessa mesma filosofia, o PSF faz com que já há três anos eles se reúnam todas as terças e quintas-feiras para caminhar. Segundo a enfermeira Ângela Bonzanini, que coordena esse grupo, a maioria deles sofre de hipertensão ou diabetes e estão – justamente por causa dessa intervenção - com essas doenças sob controle. “As pessoas que participam de ações como essa possuem um melhor vínculo com a unidade e consequentemente uma melhor adesão ao tratamento” resume Ângela.A atividade realizada na Unidade de Saúde “Eugênio Bochi” é apenas uma entre as promovidas pelas 39 equipes do PSF de Ponta Grossa, que atuam em 23 diferentes pontos da cidade, sempre ligados a uma unidade de saúde. A estratégia de constituir a comunidade atendida pelos profissionais do programa Saúde na Família em grupos não é novo, mas é muito bem-recebido: em Ponta Grossa já existe cerca de 200 grupos em atividade. E atividades as mais diversas: desde o pessoal da caminhada, como o da unidade Eugênio Bochi, até grupos de Gestantes, de Obesidade, de Reeducação Alimentar, de Planejamento Familiar, de Depressão, de Síndrome do Pânico e de Tabagismo, entre outros.DINÂMICAA forma de trabalho em todos grupos é praticamente a mesma: encontros semanais ou quinzenais, onde acontecem palestras, orientações e diversas atividades físicas. São ações simples que trazem resultados positivos tanto para as pessoas quanto para o município. A equipe atua na unidade de saúde e em espaços comunitários, na prevenção de doenças, atenção e promoção da saúde da população. “Constatamos reduções significativas na demanda na nossa unidade por causa desses trabalhos realizados e percebemos também que as pessoas estão mais orientadas e conscientes com a própria saúde”, diz a enfermeira da Unidade “Aloísio Grochoski”, Eliane Fernandes. Ela coordena um grupo de Puericultura, que prevê o atendimento de crianças de zero a 2 anos de idade. O atendimento realizado por ela é também destinado às mães, que recebem orientações sobre o desenvolvimento da criança. Ações como as realizadas pelo PSF em Ponta Grossa têm um impacto bastante positivo para a Saúde Pública. Pesquisas indicam que a cada R$ 1 que se deixa de investir na Atenção Básica à Saúde, gasta-se R$ 3 com ações na área de Atenção Complexa. O exemplo clássico é a hipertensão que, de acordo com estimativa do Ministério da Saúde, atinge 17 milhões de pessoas no Brasil. Essa doença, quando não é bem acompanhada por agentes de saúde, pode ocasionar derrames ou infartos. Com esse quadro agravado, o paciente necessita de internamento hospitalar e todo o tratamento adequado – e dispendioso. Já a prevenção, muito adotada pelas famílias atendidas pelo PSF em Ponta Grossa, tem um custo insignificante. E se traduz, além disso, em melhora na qualidade de vida dos pacientes e de suas famílias. Além de alargar a sua expectativa de vida e promover a integração com outros membros da comunidade.