NOVA ETAPA: 4,2 mil alunos municipais seguem para as escolas do Estado em 2018

Texto: Rodrigo K. Silva
Fotos: Vanderson Padilha
 
Crianças das escolas municipais, que passam agora para as escolas estaduais nos anos finais do Ensino Fundamental, falam sobre a saudade que ficará das escolas da Prefeitura e sobre as expectativas de sua vida estudantil.
 
Foram-se embora os últimos dias de aula dos alunos das escolas municipais de Ponta Grossa. Legal, certo? Afinal, foi vencida mais uma etapa e agora as férias vêm aí. Mas é também um momento especial para os alunos das quintas séries do Ensino Fundamental. Foram os últimos momentos deles com os agasalhos azuis e bandeira de Ponta Grossa no peito e, agora, uma nova etapa vai começar. Os 4,2 mil alunos que passaram toda a infância nas suas escolas municipais, seguem agora para as escolas do Estado, em um novo capítulo de sua carreira estudantil.
 
Eles têm 10 anos de idade. Alguns mais tímidos, outros nem tanto. Alguns muito confiantes, outros mais apreensivos quanto ao próximo passo. Tudo dentro do previsto, mas mesmo assim, pode ser difícil deixar um ambiente escolar tão querido. As novas escolas já estão escolhidas e o desapego forçado se impõe sobre as crianças, mesmo que muitas delas se emocionem ao falar das experiências vividas nas escolas municipais e da saudade que já sentem dos professores e colegas.
 
Da Escola Municipal Zilá Bernadete Bach, por exemplo, uma das 84 de Ponta Grossa, as crianças seguirão na maioria para a Estadual Elzira Correa de Sá, ou Edison Pietrobelli. Um dos alunos, Michel Spikaliski, não quer muito deixar sua turma e sua escola, mas sabe que não vai ter jeito. Sendo assim, o que seus próximos professores podem esperar dele? “Vou ser bom, inteligente, criativo. Um aluno quieto, estudioso, dedicado e atencioso. Para me dar bem na vida”. Se depender dessas credenciais, será o mais querido dos professores.
 
Richard Mateus Rochinski se emociona e abraça a professora Rosilda, de quem sentirá a falta pela atenção e pelo tempo de contato diário. “Nunca vi nada parecido com esta escola. Nas outras eu não passava tanto tempo, era meio período. Aqui tem mais aprendizado, ficamos quase nove horas aqui e a gente faz muita coisa”. Ele refere-se não somente ao conteúdo de Ciências, Língua Portuguesa e Matemática, mas também ao aprendizado emocional e ao afeto recebido das ‘profes’.
 
Pais devem acompanhar a adaptação
A secretária de Educação Esméria Saveli orienta, especialmente aos pais e responsáveis, que acompanhem junto com as crianças a adaptação nas novas escolas. “Por se tratar de uma lógica diferente no ensino, no início há um estranhamento”, explica. “Nos primeiros anos do Fundamental, a escola e todo o currículo se pautam pela criança e pela infância, levando em conta o respeito e a singularidade dessa faixa etária. Já na segunda etapa, a criança, que agora é pré-adolescente, Fica sem estas referências, porque a lógica posta nessa segunda etapa do Fundamental é outra”, explica a secretária.
 
Uma das diferenças está na dinâmica das aulas. “Até a quinta série, a criança possuía um professor generalista, que trabalha mais de uma área e agora eles passam a ter os estudos por disciplina. Se antes ele passava um tempo maior com o professor, especialmente no tempo integral, agora ele passa a ter os minutos contados”. Para reduzir esse estranhamento, a Secretaria abre as escolas para que possa haver um intercâmbio. “Muitas escolas municipais vão até as estaduais no ano anterior, para um reconhecimento, o que é importante para a criança. No Município, as escolas estão abertas para que a equipe pedagógica e professores das escolas estaduais possam fazer o mesmo, conhecendo o trabalho feito e facilitando a adaptação da criança”, conta Esméria.
 
Posso ficar mais um pouquinho?
Eduarda Aragão da Silva está confiante, mas preferiria não trocar de escola. “Acho importante a amizade, porque você vai para uma escola que não conhece ninguém e fica tímido. Queria que todo mundo fosse junto, mas não vai dar porque vou para outra escola. Aqui é uma família”, lamenta. Por outro lado, sabe que uma nova etapa começa. “Vai ser difícil, mas divertido. Vamos aprender mais e tem que seguir e se esforçar. Se não se esforçar, não terá um trabalho bom. Tem que se esforçar, estudar até conseguir o que quer. Espero que eu consiga”, torce ela, que quer ser veterinária. Os professores, torcem junto.
 
Marcela Maia dos Santos já sente a mudança. “Espero que fiquemos na mesma sala. Mas o que importa é que nossa amizade vai ser sempre a mesma. Aprendemos muita coisa e sabemos que uma transição vai começar”, conta ela, com sua maturidade. Ela refere-se tanto às mudanças no corpo, quanto no perfil dos amigos e escola.
 
“No Município, a gente cria um vínculo muito grande. É difícil para as crianças e às vezes mais dificil para a gente. Ficamos mais tempo juntos com os alunos do que com a família. Para eles, pode ser complicado, porque no Estado o vínculo é menos intenso, no momento em que, dentro da escola, eles deixarão de ser crianças e passarão a ser adolescentes”, conta a professora Rosilda Rocha.