Pesquisa Procon: A Influência dos preconceitos nas relações de consumo

 
Levantamento do  PROCON Ponta Grossa indica impacto de vestimentas, opção sexual e peso nas relações de consumo. De acordo com os dados, mais de 40% dos consumidores
viram ou sofreram preconceito
 
O Procon de Ponta Grossa – órgão da Secretaria Municipal de Cidadania e Segurança Pública – através da sua Divisão de Controle Processual desenvolveu no início de junho uma pesquisa comportamental, através de formulário divulgado via rede social do órgão, que é inédita no setor e é referente a um assunto pouco trabalhado nas relações de consumo: o preconceito em suas diversas formas.
Segundo o coordenador do Procon Ponta Grossa, Edgar Hampf, a pesquisa teve como finalidade analisar a influência dos tipos de preconceitos no desenvolvimento do Direito das Relações de Consumo analisando os principais estereótipos que influenciam decisivamente para a tutela do consumidor como hipossuficiente tecnicamente. Conceitos prévios geralmente influenciam o ser humano em suas escolhas, porque são decorrentes de sua formação. Essa influência, como atesta a pesquisa desenvolvida pelo Procon, também se reflete nas relações de consumo.
O reconhecimento de que o consumidor é vulnerável nas relações de consumo, explica a gerente da Divisão de Controle Processual, Franciele Nascimento, fez surgir políticas e legislações, tal como o Código de Defesa do Consumidor, que é de 1990, visando restabelecer a harmonia entre consumidor e fornecedor, de modo a proporcionar que os princípios norteadores das relações de consumo sejam a boa-fé e equilíbrio entre todos. O artigo 1º do Código de Defesa do Consumidor, dispõe que as normas que tutelam a proteção e defesa do consumidor são de ordem pública e interesse social, tornando-as irrevogáveis.  O Código de Defesa do Consumidor busca através da tutela de direitos a garantia de que os consumidores sejam protegidos para equilibrar as relações legais de consumo. O foco dessa tutela é a melhoria da qualidade das relações consumeristas, quer exigindo o respeito à sua dignidade e ou qualidade nos bens e servidos propostos.
Na pesquisa disponibilizada via rede social foram obtidos 228 participantes. Na mostra pesquisada 42.1% são pessoas de 19 a 30 anos representando a maioria dos participantes.  Sendo 56.1% do total de participantes do sexo feminino.Dos participantes, 41.9% afirmaram ter presenciado ou sofrido alguma forma de preconceito no comércio local. Com 96 respostas, consumidores relataram sentirem-se desconfortáveis em lojas de vestuário, totalizando 35.4% do total obtido, 19.8% não determinaram local e somente 2% afirmaram ter sofrido ou presenciado preconceito em academias.Quanto a forma de preconceito 39.2% afirma que as vestimentas influenciam no tratamento bem como o preconceito racial que ocupa o segundo lugar com 16.5%.
Para que o direito de todos prevaleça é necessário não somente mudança da forma como se vê direitos e deveres, mas sim buscando igualdade nas relações consumidor/fornecedor. O coordenador do Procon Ponta Grossa, Edgar Hampf, enfatiza ainda que no artigo 3º, inciso IV, da Constituição Federal, estabelece o combate à discriminação, seja quanto a origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação, como um dos objetivos essenciais. Dessa forma, qualquer conduta danosa provocada por crença preconceituosa não deve ser tolerada. “O exercício da cidadania começa com o conhecimento dos direitos individuais e coletivos. E seu exercício constante, assim como sua defesa intransigente”, aponta o coordenador.