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Lendas e Histórias

Lenda das Pombinhas

Contam os antigos que, quando os fazendeiros dos Campos Gerais se reuniram para decidir o local da sede de povoação, onde ergueriam uma igrejinha sob a invocação da senhora Sant´Ana, não chegaram a um acordo, pois cada um queria que o lugar ficasse próximo a sua fazenda. Assim sendo, de comum acordo, resolveram soltar dois pombos brancos com fitas vermelhas amarradas nas perninhas, e que, onde estes pousassem seria o local da igrejinha e o centro da nova povoação. Soltos os pombos, estes voaram para bem longe, e foram pousar sobre uma cruz, próxima de uma enorme figueira, na mais alta colina, junto ao caminho dos tropeiros. Ali foi então erguida modesta capela de madeira sob a invocação de Sant´Ana. E, ao seu redor formou-se a nova povoação de Ponta Grossa.

Gralha Azul – Lenda Paranaense

Era madrugada, o sol não demoraria a nascer e a gralha ainda estava acomodada no galho onde passara a noite, quando acordou com a batida aguda de um machado e o gemido do pinheiro.Era o lenhador golpeando a arvore para transforma-la em tabuas. Quantos anos levou a natureza para que o pinheiro atingisse aquele porte majestoso e agora, em poucos minutos, estaria estendido no solo e pronto para ir a serralheria. As pancadas pareciam repetir no coração da gralha. Num momento de desespero e simpatia, partiu em vôo vertical, subiu muito alem das nuvens para não ouvir mais os estertores do pinheiro amigo. Lá nas alturas escutou uma voz cheia de ternura: - Ainda bem que as aves se revoltam com as dores alheias.A gralha subiu ainda mais na imensidão. Novamente a mesma voz: - volte avezinha bondosa, vai novamente para os pinheirais. De hoje em diante eu a vestirei de azul da cor deste céu e ao voltar ao Paraná, você vai ser minha ajudante, plantará os pinheirais. A gralha por alguns instantes atingiu as alturas e por surpresa, onde seus olhos conseguiram ver seu próprio corpo, observou que estava todo azul. Somente ao redor da cabeça, onde não enxergava, continuou preto. Ao ver a beleza de suas penas da cor do céu voltou celebre para os pinheirais iniciando seu trabalho de ajudante. Tão alegre ficou que seu canto passou a ser um verdadeiro alarido que mais parecia com vozes de crianças brincando.O pinheiro é símbolo de fraternidade. Ao comer o pinhão, tira-lhe primeiramente a cabeça, para depois, a bicadas, abrir-lhe a casca. Nunca esquece de antes de terminar seu repasto, enterrar alguns pinhões com a ponta para cima, já sem cabeça, para que a podridão não destrua o novo pinheiro que dali nascerá. E os pinheiros foram crescendo.Do pinheiro nasce a pinha, da pinha nasce o pinhão... Pinhão que alegra nossas festas, onde o regozijo barulhento é como um bando de gralhas azuis matracando nos galhos altaneiros dos pinheirais do Paraná. Seus galhos são braços abertos, repetindo às auras que embalam o meu convite eterno: Vinde a mim todos...

A Lenda de Vila Velha

Itacueretaba, antigo nome do local hoje denominado Vila Velha, significa “cidade extinta de pedras”. Este recanto foi escolhido pelos primitivos habitantes para ser Abaretama, “terra dos homens”, onde esconderiam o precioso tesouro Itainhareru. Tendo a proteção de Tupã, era cuidadosamente vigiado pelos apiabas, varões escolhidos entre os melhores homens de todas as tribos.Os apiabas desfrutavam de todas as regalias, porem era-lhes vedado o contato com as mulheres. A tradição dizia que as mulheres, estando em posse do segredo de abaretama, o revelariam aos quatro ventos, e chegando a noticia aos ouvidos dos inimigos, estes tomariam o tesouro para si. Se o tesouro fosse perdido, Tupã deixaria de resguardar o seu povo e lançaria sobre ele as maiores desgraças. Dhui (Luís), fora escolhido chefe supremo dos apiabas, entretanto, não desejava seguir este destino, pois se tratava de um chunharapixara (mulherengo).As tribos rivais, ao terem conhecimento do fato, escolheram a bela Aracê Poranga (aurora da manhã), para tentar seduzir o jovem guerreiro e tomar-lhe o segredo do tesouro. A escolhida logo conquistou o coração de Dhui. Numa tarde primaveril, Aracê veio ao encontro de Dhui trazendo uma taça de Uirucuri (licor de butiás) para embebeda-lo. No entanto, o amor já havia tomado conta de seu coração não conseguindo assim completar a traição. Decidiu então, tomar a bebida junto com seu amado, e os dois se amaram a sombra de um ipê. Tupã logo descobriu a traição de seu guerreiro e furioso provocou um terremoto sobre toda a região.A antiga planície fora transformada em um conjunto de suaves colinas. Abaretama transformou-se em pedra, o solo rasgou-se em alguns pontos, dando origem as furnas, o precioso tesouro fora derretido formando a Lagoa Dourada. Os dois amantes ficaram petrificados e entre os dois, a ataca ficou como símbolo da traição. Diz a lenda que as pessoas mais sensíveis a natureza e ao amor, quando ali passam ouvem a ultima frase de Aracê: Xê pocê o quê (dormirei contigo).

História do Buraco do Padre

O nome buraco do padre está intimamente ligado a historia dos jesuítas que ali estiveram. A finalidade dos jesuítas era a de converter as almas para o cristianismo, principalmente as das terras novas das Américas. Os jesuítas dos Campos Gerais eram oriundos das Santas Missões de Guairá, onde trabalhavam com os índios da tradição Umbu.A origem do nome Buraco do Padre pode estar ligada ao costume dos padres jesuítas se dirigirem ao alto do platô, para concentração e meditação, ou simplesmente para o descanso. Não raro eram vistos por indígenas ou cablocos, que passaram a chamar o local de Buraco do Padre.O local foi muito utilizado para matança de índios pelos bandeirantes nos séculos XVI e XVII. Os mesmos eram jogados do alto para dentro da garganta indo ao encontro da morte.Algumas curiosidades e crenças cercam o local. Conta a história que alguns pesquisadores europeus visitaram o Buraco do Padre no século XIX, e que em noites de céu limpo caiam bolas de fogo, e em algum lugar próximo havia ouro enterrado. Estas ultimas crenças dão-se ao fato de os jesuítas terem fugido as pressa devido a influencia que o Marques de Pombal exercia sobre o Rei aconselhando-o a expulsar os jesuítas do Brasil, alegando que, devido ao seu alto grau de conhecimento, poderiam amotinar os índios contra a coroa, criando uma rebelião na Colônia.

História de Itaiacoca

Itaiacoca, distrito de Ponta Grossa, criado pela Lei n° 203 de 03 de janeiro de 1909, está localizado em uma região bastante acidentada dos Campos Gerais, com uma área de 663Km, apresenta terras muito férteis e ricas em variedades minerais, as quais pertenceram no período colonial à grande sesmaria de Conceição, de responsabilidade do capitão Mor Pedro Taques de Almeida, que compreendia ainda, muitos alqueires de terras situadas as margens do rio Jaguaricatu e Iapó. Cobertas de densa vegetação, planícies infindáveis foram se dividindo e distribuídas a genros, filhos e outros parentes dos Taques de Almeida, formando pequenos núcleos e povoados, muitos dos quais vivendo em torno das minas de talco e calcário, ou à beira das estradas que destinavam ao interior, empenhados na lavoura e pecuária de subsistência.Em 1780, a Câmara de Curitiba resolveu nomear o Sr. Joaquim F. Pinto pra guarda-mor das regiões de Pitanguá e Itaiacoca, transformando-se em pouso para tropeiros. Em face da exploração do local, a família Taques de Almeida instalou ali algumas famílias procedentes de outros estados, as quais se somam alguns colonos de origem européia (poloneses).Pelos idos de 1790, um grupo de jesuítas adentrou ao interior a fim de promover a catequese e pacificação dos silvícolas e a descoberta de elementos que estimulassem um estudo mais detalhado da região, numa tarefa paralela a dos bandeirantes que seguiam o famoso caminho do Piabiru (dos Andes ao litoral paulista). Foram responsáveis pelas primeiras demarcações e descobertas de ouro de aluvião, ainda encontrado nos pequenos rios que cortam matas e campos. Os jesuítas criaram uma missão às margens do riacho entre o morro da Pedra Grande e a localidade do Cerrado Grande, desenvolvendo a lavra de ouro de aluvião. Vestígios de ruínas jesuíticas ainda são encontrados em Cerrado Grande.O distrito de Itaiacoca, à distancia de apenas 30Km da sede do município de Ponta Grossa, na região Sudeste, sendo integrado pelas localidades de Barra Grande, Biscaia, Cerrado Grande, Campinas, Caeté, Imbuia, Mato queimado, Princesa do Ribeirão de Cruz, Rio de Dentro, Roça Velha, Rio Bonito, Cerradinho, Sete Saltos, Anta Moura, Carazinho, Passo do Pupo, Conceição, Caçador dos Casemiros e Bairros dos Ingleses. Os rios de maior importância que cortam as terras de itaiacoca são o Ribeirão grande e Guarituba, que formam o Ribeira, Riachos, lagos e brejos, que contribuem para manter a umidade da região, cuja característica global é o constante verde, como narra o historiador Reinaldo Emanuel Hansen (UEPG): “A paisagem de toda a região dos Campos Gerais está revestida de um cenário impressionantemente verde, o que torna os ‘Campos Gerais’ ainda mais belos e ricos”.Quanto a ocupação de Itaiacoca, deu-se pela mestiçagem entre europeus e tupi-guaranis que ortougou ao elemento local traços e portes físicos diversos: há os de olhos claros (descendentes diretos de europeus), os mulatos (devido a influencia do negro com a mão-de-obra escrava), os cablocos (mistura direta de europeus e índios) e os bugres( remanescentes dos primeiros habitantes da região). Essa população alegre e hospitaleira, cuja convivência familiar e a amizade com os vizinhos traz a tona muitas histórias, contos, causos que são passados de pai para filho. Essas histórias são fantásticas, cheias de símbolo e imagens que se alteram de contador a contador, produto de uma transmissão oral, como por exemplo a Lenda da Pedra Grande.

Lenda da Pedra Grande

O morro da Pedra Grande está situado entre a localidade do Cerradinho e o Cerrado Grande, situados em Castro – PR. Neste local os padres jesuítas exploravam ouro de aluvião, do qual contam muitas historias e causos fantásticos.Dizem os mais antigos que, por vezes no silencio da madrugada, são surpreendidos por toques de sinos, procedentes da região.Certa vez, um homem muito corajoso decidiu conhecer de perto os mistérios da Pedra Grande. Ao chegar lá, viu uma porta se abrir e por ela aparecer uma pessoa estranha trazendo nas mãos onças de ouro, as quais não poderiam ser tocadas, pois estavam protegidas por uma enorme serpente. A pessoa estranha dirigiu-se ao visitante e pediu que ele se retirasse dali, se não a porta se fecharia e ele permaneceria eternamente naquele local.Outra versão da lenda conta que uma jovem viu uma pessoa vagar pela estrada, em trajes antigos, que conversou com ela e que em seguida perdeu os sentidos em face da visão, quando os recobrou estava diante do grande tesoura da Pedra Grande.Uma terceira dimensão da lenda narra a visão de um lagarto incandescente, que descia do grande tesouro da Pedra Grande.Uma quarta narrativa dos antigos habitantes de Itaiacoca contam que, certa vez, apareceu três homens no local procedentes de Sorocaba, diziam serem tropeiros e que teriam vindo explorar a região. Contam que os três homens subiram o morro da Pedra grande a fim de verificar os mistérios que envolvem aquelas paragens. Entraram nas antigas escavações feitas pelos escravos e jesuítas. Ao penetrar nas imediações depararam com um tucano feito de barro, cujo bico do estava posicionado para o fundo das escavações. Naquele dia os três homens nada encontraram e voltaram para o acampamento. Mas, um deles ficou desconfiado com a posição do bico do pássaro e na calada da noite, voltou as escavações, seguindo a direção apontada e segundo depoimento, ele teria encontrado o tesouro dos jesuítas que teria sido escondido por ocasião de sua expulsão. Na manhã seguinte, os dois companheiros ao acordar sentiram a falto do outro companheiro. Resolveram então procura-lo. Seguiram para o morro da pedra grande, a para surpresa o tal homem estava saindo com o tesouro. Houve luta corporal entre os três, e os dois homens que foram procurar o amigo morreram assassinados e teriam sido enterrados próximos da Pedra grande. O outro fugiu levando o tesouro. Os três homens nunca mais foram vistos na região. Mas o que ficou foram os fantasmas, dizem que aparecem elementos como bolas de fogo, homens de preto e animais como bode preto, etc.

Histórico da Capela Santa Bárbara

A Capela Santa Bárbara, destaca-se pelo valor histórico, por ser a primeira capela erguida pela missão cientifica dos jesuítas que passou pelos Campos Gerais, no período de 1707 à 1729, com características básicas da edificação em taipas e pedras e com áreas deliminatórias em muros de pedra (hoje incorporada à vegetação).Paralelamente aos serviços religiosos, os jesuítas estabeleceram uma fazenda de criação, a Fazenda Pitangui, e aí permaneceram até 1759, levantando fundos para construção do colégio de Paranaguá.A partir deste ano a Capela de Santa Bárbara e a Fazenda Pitangui passaram a ser geridas pelos religiosos carmelitas do Capão Alto, em virtude da expulsão dos jesuítas pelo Marques de Pombal.Junto à capela foi construído um cemitério, onde ilustres cidadãos foram sepultados. O primeiro intendente dos Campos Gerais (primeira autoridade civil) está sepultado ali. Balduíno Taques de Almeida, falecido em 1865, em seu testamento, pediu para ser sepultado em Santa Bárbara, o que não foi possível, porque faleceu muito distante, na fazenda Guartelá.Em 1727, José de Góes e Morais fez doação da Sesmaria do Pitangui, à Companhia de Jesus. O padres, logo ergueram um altar, substituído por capela construído por José Tavares de Cerqueira, parente de José de Góes de Morais, que solicitou aos jesuítas que a capela fosse dedicada à Santa Bárbara.“Santa Bárbara (ano 235) nascida na Nicomédia (Bitínia, Ásia Menor) filha de pais nobres e idólatras. Muito bela, já encerrada numa torre, por ordem do pai, para que ninguém na ausência dele, a pretendesse por esposa. Tendo se tornado cristã, Bárbara mandou abrir uma terceira janela na torre, para que pudesse ter sempre diante de si um símbolo da Santíssima Trindade. Denunciada pelo pai como cristã, foi condenada à morte. O próprio pai se dispôs a decepar-lhe a cabeça. Depois de martirizar a filha, um raio o matou”.Segundo a tradição católica romana, Santa Bárbara é a padroeira dos fiéis contra tormentas.